terça-feira, 5 de dezembro de 2017

​​"É preciso aprender transformar a dor em força".

O organizador do restaurante temporário "Sem conta" 1932 Tychkivsky - sobre como com formatos modernos pode-se atrair a atenção do mundo para repensar o Holodomor.
Vadim Lubchak. 1 de dezembro de 2017, Gazeta Dia, Kyiv. ua.

No dia do memorial do Holodomor (morte pela fome) em Tel Aviv, estudantes da Academia Ukrainiana de Liderança organizaram o restaurante pop-up (temporário) de 1932. Nele, aos moradores e visitantes da cidade, ofereciam apenas um prato-sopa da casca e folhas - precisamente o que os ukrainianos comiam durante o Holodomor. Os ingredientes deste terrível ingrediente trouxeram da Ukraina.

Como resultado da ação, iniciada pelos estudantes, os residentes de 10 países do mundo aderiram à ação. De acordo com os organizadores a grande maioria das pessoas, que experimentavam a sopa, nunca e nada ouviram sobre o mais terrível genocídio na história ukrainiana. "Isto houve de verdade?" - perguntavam os estrangeiros - "Esta é a pior sopa do mundo". De forma tão incomum, a juventude ukrainiana decidiu chamar a atenção dos israelenses para a terrível tragédia da nação ukrainiana. Como genocídio, reconheceram Holodomor apenas 23 países. Israel não está incluído neste número. "O Parlamento local acredita, que a avaliação dos acontecimentos do passado deve ser dada pela comunidade, porque não corresponde, então é necessário ir à sociedade - disseram os organizadores da ação em sua página no "Facebook".  Sobre a reação de israelenses e turistas estrangeiros, "Dia" perguntou ao chefe da Academia Ukrainiana de Liderança Roman Tychkivsky.

- Roman, como surgiu a idéia de alimentar as pessoas em Tel Aviv com sopa, que os ukrainianos podiam comer durante o Holodomor?

- A ação foi realizada pela Academia Ukrainiana de Liderança, graças a Yaroslava Gres, co-fundadora da Gres Todorchuk PR. A idéia pertencia a Alexander Todorchuk. Analisando várias sugestões interessantes, nós decidimos, que o mais interessante será alimentar os israelenses com sopa incomum. Sabe, estávamos muito inflamados com esta idéia. O evento foi dirigido pelos estudantes que tem o melhor domínio da língua inglesa e podem, razoavelmente transmitir a idéia do projeto e, em geral, responder a todas as questões sobre como encontrar informações adicionais sobre o Holodomor (morte pela fome). Nosso grupo - 28 pessoas, estuantes, e mentores da academia, e representantes da empresa Gres Todorchuk PR. Nós preparamos um restaurante de rua, num dos mais antigos mercados de Tel Aviv. Além das pessoas locais, conseguimos alimentar com a incomum sopa, turistas de 10 países do mundo.









                                  Foto de Feisbuc-página de Yaroslava Gres.

- Diga-me, por favor, qual foi a reação das pessoas a sua ação. Eles sabiam sobre a terrível tragédia da Ukraina - o Holodomor?

- A posição oficial de Israel é uma questão pública, por isso precisa ser debatida pela sociedade. Mas a própria sociedade não possui informações, e nós, especialmente sentimos isso claramente. No discurso público israelense, o tema do Holodomor não está presente. Ao mesmo tempo, vimos que os estrangeiros que vieram até nós, sabem mais sobre o Holodomor, do que os israelenses. Nós nos comunicamos com americanos, italianos, alemães, também com os saídos do Reino Unido. Muitas pessoas sabem sobre o Holodomor mas, percebe-se, que não conhecem os fatos. E, na verdade, experimentaram a sopa, segundo a receita de 1932-1933 - uma boa oportunidade para sentir em que condições era necessário viver. Em geral, nós alimentamos mais de cem pessoas. Maioria - locais, mas repito, havia muitos turistas estrangeiros. 


                                    Foto da página do Feisbuc de Yaroslav Gres.

Em sua opinião, as ações culturais e artísticas atuais no padrão que você conduziu, poderão ajudar o mundo a reconhecer o Holodomor como um genocídio do povo ukrainiano?

- Eu estou convencido, de que tais ações dão resultado. Somente essa última ação produziu uma ressonância sem precedentes na sociedade israelense e na Ukraina. Exatamente os formatos modernos e a comunicação franca ajudam a estabelecer contatos. A sociedade deve trabalhar com a sociedade, compartilhar e repensar sua dor. Precisamos aprender com os israelenses, como transformar a dor em força, numa mudança positiva e, ao mesmo tempo cultivar a memória. Claro, nos interessa o resultado final - que Israel reconheça o Holodomor como genocídio do povo ukrainiano, como também todos os outros países do mundo, que ainda não o fizeram. Este é o objetivo principal, mas não é o único. Nós gostaríamos que Ukraina, aprendesse para si, e todo o mundo, tirar as lições certas dessa tragédia, desgraça - transformar em força, autoridade, para que isto nunca mais se repita. Outras nações não tem esta experiência. Esta é tragédia, mas nós temos a missão de aproveitar esta página complexa da história. Graças ao jornal "Dia" o Instituto ukrainiano de memória nacional, em nossa sociedade inicia um discurso público sobre o tema Holodomor, repensando as trágicas páginas da história - ações similares na Ukraina e no mundo, mesas redondas, apresentações em público... haverá muitas. Unamo-nos e trabalhemos nesta direção todos juntos..

TENTÁVAMOS EXPLICAR, O QUE VIVERAM OS UKRAINIANOS NESSE TERRÍVEIS TEMPOS.

Yaroslava Gres, co-fundadora da Gres TodorchukPR.

A idéia do restaurante pop-up surgiu durante a preparação de estudantes da Academia de Liderança da Ukraina antes da viagem programada para Israel. Lá, durante a semana, a juventude ukrainiana devia conhecer o milagre israelense, examinar a construção do estado, encontrar-se com os gerentes de grandes empresas, agricultores, isto é, todos aqueles que estão por trás do sucesso deste pequeno, mas próspero país.Nestas mesmas datas coincidiam os dias de memória das vítimas do Holodomor (morte pela fone). Israel - um de muitos países do mundo, que não reconhece Holodomor como genocídio. Ao mesmo tempo, estávamos convencidos de que, ao nível de cidadão comum, em Israel, simplesmente não sabem. Então nasceu a idéia de um pequeno mas poderoso projeto que, sem palavras e declarações fortes, pudesse explicar o que vivenciavam os ukrainianos durante esses terríveis tempos. Nós compreendíamos, que os israelenses, que por muitos anos lutaram pelo reconhecimento do Holocausto como genocídio, sentiriam essa idéia como ninguém. Mas o resultado ultrapassou todas as nossas expectativas, porque à ação que ocorreu no centro de Tel Aviv, no ressonante mercado Jaffa, envolveram-se não só os israelenses, mas também residentes de outros nove países do mundo.

Na maioria esmagadora, as pessoas não sabiam nada sobre a tragédia do Holodomor. Alguém lembrava, que ouviu falar sobre o genocídio armênio, é claro, muito foi dito sobre o Holocausto. Penso que tais ações devem ser sistemáticas e levar a ações concretas - recolhimento de assinaturas para reconhecimento do Holodomor como um genocídio contra a nação ukrainiana, mudança de opinião pública e, finalmente, reconhecimento oficial pelos governos dos países. Atualmente realizamos reflexões sobre as ações e planejamos novos passos. Por enquanto é cedo falar, mas penso, que  UncountedSince 1932 se transformará em algo muito poderoso.  

Tradução: O. Kowaltschuk

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