sábado, 10 de dezembro de 2016

Congresso americano acertou "Criméianossa".
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 07.12.2016
Sergei Stelmakh

Capitólio - Congresso USA 
A câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos proibiu a cooperação militar com a Rússia até Kremlin não liberar os territórios ukrainianos e não cessar as ameaças aos países-membros da OTAN. Desde a primavera de 2014, Moscou, com todos os meios procurava conflito em larga escala com EUA, tentando chantagear o Ocidente com armas nucleares. Kremlin blefava, imitando prontidão na iniciação da guerra global, se Washington e Bruxelas se recusassem fechar os olhos na "Criméianossa" e não permitissem a Vladimir Putin destruir Ukraina como um estado.

Moscou encontrou-se preso em suas próprias impensadas decisões. O estado americano e a máquina militar lenta, mas seguramente volta-se contra a agressiva liderança do Kremlin. Agora a iniciativa encontra-se nas mãos de Washington. As autoridades dos EUA, sistematicamente, dão ao conhecimento de Vladimir Putin e ao seu comando político, que nenhuma "distribuição" da Ukraina, nas condições russas, haveria. A julgar pelas ações das principais instituições do Estado, a prevista linha estratégica tem caráter de longo prazo. 

A Câmara dos deputados dos EUA aprovou um projeto de lei sobre o financiamento do Ministério da Defesa para o próximo ano. Este documento está postado no site do Congresso. Ele proíbe ao Pentágono ter algum assunto/questão com os colegas russos, até que sejam fornecidas evidências objetivas da de-ocupação dos territórios ukrainianos (Donbas e Criméia) e a cessação de ações agressivas do Kremlin, que ameaçam os países da OTAN. 

"É proibido o lucro da cooperação bilateral da cooperação militar entre o governo dos Estados Unidos e a Rússia, enquanto o Congresso não receber da Rússia provas de que, (1) terminada a ocupação do território da Ukraina e ações agressivas, que ameaçam a soberania e a integridade territorial da Ukraina e os membros do acordo da Organização do Atlântico Norte; (2) atendidas as condições e aprovadas as medidas para apoio dos "acordos de Minsk" sobre cessar-fogo no leste da Ukraina", - diz no texto.

O documento também proíbe ao Pentágono realizar quaisquer ações que podem ser consideradas como reconhecimento, de fato, da anexação da península pela Rússia. "Proíbe-se o aproveitamento de fundos para realização de quaisquer atividade, que reconheçam a soberania da Rússia, sobre a Criméia", - indica o texto.

As autoridades americanas admitem algumas reservas. A cooperação em algumas áreas é possível, mas somente depois que Moscou começar "cumprir as condições dos acordos de Minsk e começar as medidas para alcançar os objetivos definidos". Mas, isso é improvável que confortará o governo russo, para o qual o acordo completo de realizações quanto ao Donbas vai significar o colapso das "repúblicas" terroristas de Donbas e a impossibilidade de influenciar a política ukrainiana. E, de modo algum, garante indulgência na questão da Criméia".

Para definitivamente se tornar lei, o documento deve passar pelo Senado e receber a assinatura do presidente. Mas a tendência já é evidente. Também vale a pena lembrar, que a votação da lei sobre o financiamento do orçamento militar é a continuação lógica do ato "Sobre o apoio da estabilidade e da democracia na Ukraina", aprovado pelo Congresso no outono do corrente ano. O documento também contém uma disposição que proíbe ao presidente dos EUA considerar a Criméia "russa".

Em primeiro lugar - Moscou não deve esperar por "igualdade de relacionamento" com a administração de Donald Trump, como dizia o presidente Vladimir Putin durante uma recente mensagem à Assembléia Federal. Sob tal formulação a direção do Kremlin entende o reconhecimento "Criméianossa" e quaisquer direito privilegiado de interferir nos assuntos internos da Ukraina, mas isto são desejos de Putin. O Partido Republicano tem a maioria nas duas casas do congresso. Os representantes das forças políticas, como mostraram os acontecimentos dos últimos dois anos, estão firmemente definidos contra a política de Moscou, que apreendeu a Criméia ukrainiana e organizou uma "guerra hibrida" no leste do nosso país. Foram os republicanos que ativamente apoiavam a iniciativa para oferecer ao nosso país não apenas armas de defesa, mas também armas ofensivas. Os proeminentes representantes do Partido Republicano repetidamente criticavam a administração de Barack Obama por ser "macio" quanto a Moscou. Por exemplo, o recém-eleito vice-presidente Michael Pence disse, que o "excesso" de relações com a Rússia, iniciado com o governo Obama, levou à anexação da Criméia ukrainiana.

Segundo - a aprovação de tal documento, é incorporada à lógica de formação de uma equipe militar-política do futuro governo. Donald Trump escolheu para dirigir o Pentágono, o general James Mattis. Ele é distinguido por uma abordagem crítica à política russa, desejo de agir a partir de uma posição de força. O general manifestou, repetidamente expansão ao apoio da Ukraina, acusando a Rússia pela ocupação da Criméia e parte das regiões de Donetsk e Lugansk. Chefe da CIA na nova administração será Mike Pompeo - um crítico consistente do Kremlin. Condicional "russófilo" é, provavelmente o conselheiro presidencial de segurança nacional Michael Flynn - general aposentado que anteriormente liderou a inteligência militar. Se o documento for à decisão final, será um argumento adicional para o fato de que não haverá nenhum "grande acordo" em relação a Ukraina, entre Trump e Putin. O sistema político americano, que inclui em si o mecanismo de contenção e contrapesos não permitirá isso. 

Tradução: O. Kowaltschuk   

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Por causa de Onyshchenko balançou a coalizão?
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 05.12.2016
Dmytro Shurkhalo

Oleksandr Onyshchenko
 Acusado de corrupção, o deputado Oleksandr Onyshchenko fez declarações acusatórias, regulares, contra o presidente Petro Poroshenko e seu círculo próximo. No "Bloco de Poroshenko" disseram que estas declarações são tentativa de desestabilização da situação política. Em troca, a facção do Partido Radical exige a criação de uma comissão especial para investigação da promulgada informação do deputado fugitivo. De acordo com os especialistas, o desenvolvimento dos próximos acontecimentos depende da credibilidade das provas que possui Oleksandr Onyshchenko, e de como reagirão às tais provas no Ocidente.

De acordo com Onyshchenko, sua empresa poderia ganhar propostas regularmente da companhia estatal "Centrenergo" de fornecimento de gás, graças ao fato que ele dava, às pessoas próximas ao presidente, uma parte do dinheiro. De cada mil metros cúbicos de gás, dava 2.000 hryvnia.

"Olhem para o estatal "Centrenergo", olhem para minhas empresas, que sempre recebiam o direito para fornecimento de gás. E como eu pude conseguir receber estes fornecimentos - pensem sozinhos - apesar de que o gás era vendido pelo preço máximo? Isto é, na condição de tais fornecimentos havia sempre retorno de 2.000 UAH para Kononenko. O lucro do negócio do gás pegavam para si... Mostrar-lhes os SMS de Kononenko?" - contou Oleksandr Onyshchenko na entrevista ao "Tempo presente". (Kononenko é amicíssimo  com Poroshenko. Lembram aquela vila maravilhosa de Poroshenko na Espanha? Kononenko também possui uma lá, de 768 m², um pouco afastada da praia. A do Poroshenko é juntinho da praia. E foi por desentendimento de Kononenko com o ex-ministro Aivaras Abromavichus, lituano, cujo trabalho estava sendo elogiado, que o lituano pediu a conta - pesquisa OK).

Esta linda casa é do presidente na Espanha




Onyshchenko também confirmou, que entregou à inteligência dos EUA o caso de Petro Poroshenko - secretamente gravadas conversas com o presidente. Além disso, o jornal britânico, The Independent, publicou um artigo, que cita as palavras de Oleksandr Onyshchenko que, a pedido de não identificado, importante funcionário público ele, em seu tempo, gastou aproximadamente 30 milhões de dólares na campanha contra o então primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk. 

Na "Frente Popular" (Partido do ex primeiro-ministro) dizem que sabiam de tudo.

No "Blog de Petro Poroshenko", disseram, que devido a este fato, Moscou esforça-se para desestabilizar a situação política na Ukraina. "Kremlin não dorme e tenta desqualificar o trabalho do Parlamento - agora, através de culpabilizar Onyshchenko no jornal britânico The Independent, que pertence ao oligarca russo Alexander Lebedev. Desequilibrar o trabalho da coalizão", afirma o vice´presidente da facção "Bloco Petro Poroshenko" Irena Lutsenko.

Enquanto isso, em outra facção da maioria parlamentar - "Frente Popular" - comentando as declarações de Oleksandr Onyshchenko, não negam, que para desacreditar o governo de Arseniy Yatsenyuk foram incluídas consideráveis quantias.

"Para nós isto não era novidade. Tanta lama fluiu por dez meses - e vemos que isto foi financiado no valor de 30 milhões de dólares", disse o chefe da "Frente Popular"" Maxim Bourbak.

Em vez disso, o chefe do Partido Radical Oleg Lyashko exigiu a criação especial de uma comissão parlamentar de inquérito.

O colega Onyshchenko diz, que 70 deputados recebem dinheiro todos os meses - de 20 a 100 mil dólares. Quando o deputado corrupto Onyshchenko diz, que a votação para o Procurador Geral era por dinheiro, o afastamento do presidente do SBU (Serviço de Proteção da Ukraina) Nalyvaychenko foi por dinheiro, e todas as votações foram por dinheiro, então você quer dizer, que nós não devemos prestar atenção para isto?!" - disse Oleg Lyashko.

Existem evidências reais?

Comentando a situação para Rádio Svoboda, o deputado não afiliado Boryslav Bereza  disse, que a criação de uma comissão parlamentar de inquérito não é possível sem o apoio da maioria de uma facção. Em vista disso ele presume que na "Frente popular" "vão negociar". Ele também questiona, tanto a eficácia de uma investigação parlamentar, quanto a persuasão de novas declarações acusatórias de Oleksandr Onyshchenko.

"Este não é o caso, quando era preciso pagar com dinheiro. Yatsenyuk sozinho fez tudo, para ser desacreditado", - disse Borislav Bereza.

O politólogo Sergei Gaiday supõe, que o desenvolvimento da situação dependerá, principalmente, de como reagirão no Ocidente, às publicações sobre as ações de Onyshchenko.

"Se é mesmo verdade, que ele deu provas aos aplicadores da lei americanos, tudo vai depender de como eles usarão isto. Se Onyshchenko tem evidências reais de ações corruptivas do presidente e de sua comitiva  e esta informação tornarem pública, então a questão pode chegar ao impeachment ou renúncia do presidente, porque isso exigirão nossos parceiros ocidentais. Mas nós ainda não vimos esses registros", - diz o especialista no comentário a Rádio Liberty.

De acordo com as palavras de Sergei Gaiday, "hoje Poroshenko é, para Ukraina, um elo muito fraco".

Alexander Onyshchenko é acusado em organização de um esquema de desvio de fundos na extração e venda de gás natural, em resultado da qual o estado sofreu danos de cerca de três bilhões de UAH. O Parlamento deu consentimento para trazê-lo à responsabilidade criminal, detenção e prisão. No entanto, na véspera da votação, aproveitando o status de deputado, Alexander Onyshchenko deixou Ukraina. Agora ele está na lista de procurados. Comentando as declarações do deputado-fujão, na administração presidencial à Rádio Svoboda disseram, que o senhor Onyshchenko, com todo o seu chamado comprometimento, aguardam na Ukraina, as agências de aplicação da lei".  

Tradução: O. Kowaltschuk

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Automaidan veio até Avakov
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 04.12.2016


Os ativistas do "Automaidan" realizaram uma ação de protesto: "AvakovOFF" exigindo a renúncia do ministro do Interior Arsen Avakov. 
À ação anunciada para 4 de dezembro, às 13:00 horas, os participantes foram à moradia do ministro do Interior, do centro de Kyiv onde se reuniram.
Na cerca penduraram cartazes com diversos dizeres: "Avakov para demissão", "Com as pastas para fora"" e "Vergonha".




(Os ativistas trouxeram algumas pastas. Estas pastas eram para os estudantes, a qualidade foi muito criticada).

Como afirmaram os organizadores da ação, "Avakov é responsável pelo processo de certificação dos policiais, incluindo  a reforma da Polícia Nacional e do sistema do Ministério do Interior em geral, "por causa de seus "conselheiros de bolso" que, desde a primavera de 2016 começaram sozinhos selecionar a Comissão de Certificação, tal e qual a "comunidade de bolso". E eles saíram com outras organizações do processo de certificação da Polícia Nacional, que transformou-se em farsa.

(Avakov é aquele ministro que não usa o idioma ukrainiano nem no seu ministério, inclusive nas atas, avisos, discursos, etc., sendo ele ministro de um governo da nação ukrainiana. Aliás, depois de muita pressão de um cidadão ukrainiano, agora, de vez em quando, usa. O autor da pressão, muitíssimo educado, exigia poder ler as atas no idioma oficial da nação, já conseguiu o uso do ukrainiano até nos produtos comprados de outros países. Agora as máquinas de lavar já vem com o nome e manual em ukrainiano. Esta foi a primeira vitória, mas, já há outros produtos, de outros países, com o uso do ukrainiano - OK).

Os ativistas lembram que durante a certificação dos quadros da Polícia Nacional foram dispensados mais de cinco mil ex-policiais - 7,7 do número total de pessoas, designadas para passar pela certificação, e 4% da quantidade geral da Polícia Nacional. 

"Avakov retornou e retorna para os cargos executivos os "testados" quadros do velho sistema do Ministério do Interior", - declararam no Automaidan e lembram a tentativa  de nomear o chefe da polícia de Cherkasy, o coronel Valery Lhutyi e Anton Shevtsiv como chefe da polícia de Vinnytsia, e designar às posições de liderança Illia Kyva, Sergei Chebitar, Basil Pascal, Vadym Troyan, Alexei Tahtaya, Igor Klimenko Igor Kuprantsyi.

"Estando no cargo de ministro do Interior, de fevereiro de 2014, Avakov derrubou as investigações internas no Ministério de Administração dos que participaram da repressão contra os ativistas do Maidan... de fato, ele, pessoalmente encobre todos esses criminosos, bem como os corruptos no Ministério da Administração Interna", disseram os organizadores do protesto.

119 deputados-milionários recebiam compensações pela habitação.
Economichna Pravda , 02.11.2016.

119    deputados, que em 2015 declararam mais de um milhão de UAH, recebiam compensações para moradia.
Sobre isto relata o Comitê de Eleitores da Ukraina, referindo-se aos resultados do projeto "Literalmente". Após a publicação das declarações eletrônicas revelou-se, que 119 deputados declararam, na secção 12 da declaração, acima de um milhão de UAH (ou equivalente).

Dez deputados mais ricos, que recebiam a compensação para moradia é a seguinte.

 1 - Vadim Nestorenko (Bloco P. Poroshenko),  2016 milhões de UAH.
 2 - Alexander Vilkul (Bloco de Oposição), 190 milhões de UAH.
 3 - Eugene Hyellyer (Renascimento), 165 milhões de UAH.
 4 - Ruslan Demchak (Bloco P. Poroshenko), 133 milhões de UAH.
 5 - Eugene Murayev (Bloco Independente), 94 milhões de UAH.
 6 - Borislav Rosenblat (Bloco P. Poroshenko), 94 milhões de UAH.
 7 - Gennady Chekita (Bloco P. Poroshenko), 90 milhões de UAH.
 8 - Anatoly Denisenko (Independente), 85 milhões de UAH.
 9 - Alexander Presman ( Bloco Renascimento), 71 milhões de UAH.
10 - Arkady Komatsky (Bloco P. Poroshenko), 57 milhões de UAH.

Alega-se, que alguns deputados ricos declararam a habitação que pertence a eles ou a seus parentes próximos nos subúrbios de Kyiv, na Vila Kozen.(A preferência dos ukrainianos que possuem condições financeiras, é nos subúrbios. Sinceramente, eu não imagino para que casas tão grandes, mas eles gostam, muitos tem. - OK). O pai de Ruslan Demchak, de acordo com a declaração, possui casa de 337 m² na vila Kryukivshchyna, que dista dois quilômetros da estrada de Kyiv", - diz em um comunicado.  "Por exemplo, a esposa do deputado Mykhailo Dobkin, de acordo com sua declaração, possui dois apartamentos em Kyiv. No entanto, o deputado também recebeu a compensação para habitação" - diz em uma mensagem de texto.

Também informou-se, que em dezembro de 2015, 177 deputados, de acordo com o relatório do Parlamento recebiam compensação do orçamento do Estado para o aluguel do apartamento, ou um quarto de hotel (em Kyiv).  A remuneração anual das compensações poderia chegar a 167 mil UAH.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 4 de dezembro de 2016

Fabricante de vinho Christophe Lakarena: Não é próprio dos europeus. Na Ukraina destroem pequenos produtores e concorrentes.
Economichna Pravda. (Verdade Econômica), 02.12.2016
Fedir Popadyuk



Uma semana atrás, desconhecidos num buldózer destruíram os vinhedos do vinicultor francês Christophe Lakarena na região de Shabo,(*) Odessa.
A Verdade Ukrainiana conversou com o produtor de vinho, sobre o motivo da pressão sobre ele, e se , para ele, era mais fácil trabalhar na Ukraina.

- Em 25 de novembro, pela manhã, o trator entrou no território de sua plantação e, em três lugares diversos arrancou as vinhas. 
A família do enólogo francês chamou a polícia, elaboraram um protocolo.

Como se descobriu, atrás desse ato havia três acionistas. O etnólogo conecta suas ações com o desejo de desconhecidos, homens de negócios, ocupar a região para construção. Segundo suas palavras, a terra é arrendada, em 2007, por 15 anos.

Esta já não é a primeira vez, que tentam impedir Lakarena - no início do ano, ele passou por ataque fiscal que o acusava de produzir e vender álcool ilegalmente.

Recentemente, o Parlamento aprovou uma lei abolindo a licença para venda do vinho por atacado por um pequeno negócio. Mas para pequenos enólogos, devido a isto, não se tornou mais fácil. 
Primeiro, para receber todas as licenças necessárias, é preciso passar por um verdadeiro inferno burocrático, perder alguns meses e passar por vários departamentos.
Segundo, a elevada atenção dos cobradores de impostos aos pequenos produtores, que se esforçam para entrar na legalidade, só piora a situação e tornam a produção do vinho não muito atraente.

O caso de Lakarena confirma isto.

- Diga-me, o que aconteceu com seus vinhedos?

- A situação, agora, e esta: em três lugares diferentes, três diversos sócios, arrancaram as vinhas, que eu comprei no concurso. Isto é assustador, porque são vinhedos de alta qualidade, mas podem ser plantados mais uma vez. Mas, para alcançar excelentes resultados é necessário 15 anos.

- Você teve algum problema com qualquer imposto  recentemente?

- Agora realiza-se um controle rigoroso quanto aos pagamentos dos impostos pelo Ukrinform. Controle - é normal. E graças a Deus, desta vez, quando Ukrinform veio até nós - tudo realizou-se sem o "show - Máscara".

- Como resolveu-se o seu problema com a licença para fabricar vinho?

- Mikhail Saakashvili, quando era governador, me ajudou obter a licença para fabricação. Nós nos esforçamos fazê-lo em janeiro, fevereiro, março e apenas em 4 de abril a questão do imposto e licença decidiu-se.

Ainda é necessário para o trabalho, de materiais para produção de vinho, engarrafamento, e ainda: se você quiser vender ao restaurante ou loja, você necessita uma licença de um milhão de "hryvnia" (UAH) para venda por atacado. 

O que eu paguei oficialmente? Licença para o processamento de uvas e licença para engarrafamento do vinho. Mas, na semana passada me disseram, que minhas licenças não estão completas, que eu não tenho licença para materiais e para engarrafamento. Como pode emitir uma licença para venda, se não há licença para engarrafamento? Tudo o que acontece - é um absurdo, surrealismo. E agora eu enfrento multa.;

Quando eu vim para o distrito Dniester -  Belgorod, eu perguntei o que era necessário para registrar a marca. Pediram a licença, eu a dei, e me disseram, que agora não havia necessidade para registrar nada. Meu grande risco agora - é uma grande multa administrativa, e aqui eu sou culpado.

- Como terminaram suas tentativas para obter licença para a produção de vinhos espumantes e champanhe?

- Isto foi em setembro deste ano. Porquanto é outro processo e outra tecnologia, eu perguntei aos funcionários o que era necessário. Disseram-me, que era necessário ir à Câmara de Comércio e fazer o código do produto, o que eu também fiz. Depois eu fui ao Instituto Tairovskyi e levei para avaliação técnica a versão experimental de vinho espumante.

Quando eu voltei lá pela segunda vez, foi-me dito que eu era um criminoso, porque eu produzi este vinho sem licença! Isto é, surrealismo!

- Como pode explicar tal atitude para com você?

- Isto é monopólio. Pequenas e médias empresas não serão permitidas. Ukraina não muda. O governo fala sobre reformas, empenham-se grandes quantias da Europa e América, mas mudanças reais não há.

- A você ajudou o cancelamento da licença para venda por atacado do vinho, aceita no final de setembro no Parlamento?

- Agradeço aos deputados. Tudo começou porque no ano passado, em 20 de novembro, eu organizei  a apresentação do vinho jovem para visitas de Odessa. Havia 25 pessoas, todas tomavam nosso vinho jovem.

Numa mesa havia duas pessoas, que no final da noite me perguntaram, se poderiam comprar três garrafas de vinho. Eu disse, que não, podiam apenas experimentar. No final eu simplesmente lhes dei as três garrafas. No dia seguinte, controle e verificação, e único motivo para verificação - estas três garrafas. Eu, novamente daí na provocação. 

Isto são tempos soviéticos. De-comunização não é apenas despedaçar o monumento a Lenin. De-comunização - é abolir os velhos e desnecessários procedimentos burocráticos e suas idéias. Isto é importante. 

Se Ukraina quer avançar e elevar o padrão de vida médio, é preciso livrar-se dos desnecessários papéis para negócios médios e pequenos. Porque pequenas e médias empresas são capazes de aumentar os postos de trabalho.

(Shabag - nome de povoação tártara. Aproximadamente 500 anos atrás. Shabo segundo a pronúncia francesa 1788 ano em que considera-se, ter sido, a fundação do Shabo - Pesquisa OK).

Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Porões" de Donbas. A verdade brutal sobre o cativeiro.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 27.11.2016
Coligação "Justiça pela paz no Donbas


O conflito armado no Donbas levou a numerosas graves violações dos direitos humanos nos territórios de Donetsk e Luhansk. Extraordinários impulsos arbitrários de pessoas armadas originaram a formação de uma rede de cativeiros locais e ilegais. Os prisioneiros detém/detinham ambos os lados do conflito - isto é, os armados grupos ilegais "DNR" e "FSC", que agem com apoio da Rússia, e os batalhões voluntários ukrainianos.

A coligação "Justiça para a Paz no Donbas" dedica muita atenção à situação da detenção ilegal no Donbas. Como resultado, coletando mais de 160 entrevistas em 2015, a coligação divulgou o relatório "Aqueles que sobreviveram ao inferno" e um filme - documentário. Hoje , as organizações cidadãs, que são membros da Coalizão, continuam a documentar os casos de prisão e detenção ilegal. Como resultado, a partir de agosto de 2016, tornou-se conhecida a história sobre 246 pessoas, que estavam em cativeiro, e 146 lugares ilegais de cativeiro. Destes, 139 criados ilegalmente por grupos armados que operam na zona ocupada de Donbas com apoio da Rússia

Com base nos dados recolhidos, recentemente foi lançado um curto relatório "Lugares sem liberdade", preparado por três ONGs - "Centro Oriental de iniciativas públicas", "Grupo de Direitos Humanos de Kharkiv", "Leste - SOS".

A distribuição territorial dos lugares do cativeiro é a seguinte;


A rede de "porões" para prisioneiros, criada por grupos armados ilegais.

Como resultado do monitoramento conseguiu-se detectar diferentes tipos de privação de liberdade, criados pelos combatentes armados, com o maior número de prisioneiros, incluindo: 

Edifício do Serviço de Segurança da Ukraina (cidade Donetsk) - mais de 200 pessoas;
Antiga unidade militar Nº 3037 (Cidade de Donetsk) - mais de 190 pessoas;
Fábrica "Isolation" (Cidade de Donetsk) - 190 pessoas;
Detenção temporária, ao lado da Estação Sul de veículos, Donetsk) - acima de 400 pessoas;
Construção do Serviço de Segurança da Ukraina (Luhansk) - mais de 200 pessoas.

"Nós obedecíamos a todas as ordens, porque nos controlavam constantemente, e alguns separatistas sempre permaneciam conosco. Se você não obedecia, não se submetia, com você comportavam-se cruelmente, batiam," -lembra um prisioneiro.

Condições de manutenção

De acordo com os relatos de testemunhas, aqueles que passaram pelo cativeiro, permaneciam em condições não adequadas para longas estadias das pessoas. Os prisioneiros eram mantidos em salas mofadas, onde não havia claridade diurna nem ar fresco. A maioria dos detidos encontrava-se no "porão", onde dormiam sobre tábuas, chão, trapos. Água para beber traziam em garrafas de plástico, provenientes de produtos de higiene. Estes recipientes, frequentemente serviam para urinar, pois da câmera ao banheiro não permitiam ir quando pediam mas, de acordo com um rigoroso gráfico.


"No canto superior direito havia um orifício para linhas de comunicação - única fenda possível para ventilação. Através dela nós ouvíamos, como alguém gritava no "porão" ao lado... Sem luz. Estávamos em constante escuridão", - diz uma testemunha ocular.

Motivos para aprisionamento:

- violação do toque de recolher, suspeita de uso de álcool ou drogas;
- pontos de vista políticos e suspeita de apoio às Forças Armadas da Ukraina ou aos batalhões voluntários: 
- sequestro com a finalidade de receber resgate;
- pertencentes às Forças Armadas da Ukraina ou a batalhões voluntários.

A maioria das pessoas que passaram pelo cativeiro, afirmam sobre ocorrências de maus torturas.

"Eles batiam nele o tempo todo, espancavam, arrastavam... Eles fecharam a porta, mas lá havia fresta, então tudo se ouvia... Quando ele esforçava-se para dizer algo, assim mesmo batiam, ele geme, grita, uiva. E isso é terrível, assustador, quando você ouve, que alguém sofre. "Não posso dizer, o que é pior - quando bateram em mim, ou quando bateram nele", - com horror recorda a testemunha.

Detenções ilegais no território controlado pela Ukraina.

Entre os casos documentados de detenção ilegal oito ocorreram em território controlado pelo governo ukrainiano, dos batalhões voluntários e da Guarda Nacional da Ukraina. Segundo testemunhas, trata-se por cerca de 40 detidos.

Motivos de detenção.

Suspeita de simpatia às forças russas, separatistas;
funcionários do serviço de segurança da Ukraina;; 
jornalistas e voluntários suspeitos de espionagem; 
sequestro em troca de resgate.

Além dessas, os monitores tem conhecimento de outras categorias de pessoas afetadas, no entanto, elas se recusaram a depor devido ao medo de retaliação.

"Eles abriram o bagageiro... Jogaram-me lá. Eu pensei: "Melhor esquecer tudo isto". Eles me ameaçavam: "Se você falar à polícia - todos condenados, todos de sua família, nós mataremos todos, se você for à polícia". Tornou-se visível, que eles estavam assustados porque, constantemente, falavam sobre isso", - diz a testemunha.

A prática de detenção temporária tornou-se generalizada durante a libertação de partes ocupadas de Donbas e medidas preventivas na frente e nos postos de controle, e podia ser acompanhada pela violência.

A coligação "Justiça para Paz no Donbas" ocupa-se com documentação de casos ilegais de detenção e prisão. Quanto mais evidências coletadas, mais rapidamente os culpados serão levados à justiça.

Cada um de nós pode ajudar a preservar a história e restaurar a justiça no Donbas. Então, se você sabe sobre casos de detenção ilegal e reclusão no Donbas - por favor, preencha o formulário especial no site da Coligação. Sem o seu consentimento por escrito a Coligação não publicará e não transmitirá as informações recebidas , a terceiros.

Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Yanukovych, hoje, dá depoimento no tribunal

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 28.11.2016

(Não, não nos alegremos, Yanukovych não está no território ukrainiano. Não está detido. Este depoimento ele fez por vídeo-conferência do território russo, como testemunha do Maidan. E deveria ter acontecido ainda na semana passada, mas foi cancelado no início, com tudo pronto.

Apesar de que, já a vários dias há comentários nos jornais, eu ainda não entendi qual a necessidade ou o benefício para Ukraina, se é que há algum. E, por que os altos funcionários do governo ukrainiano perdem tempo com os preparativos desse evento. 
Não fiz a tradução do texto todo, acho que já foi suficiente para ver que Yanukovych não assume seus atos - OK).

À pergunta como, no dia 23.02.2014, às 3h51  ele encontrou-se no território da Federação russa, Yanukovych repetiu sua versão de uma emboscada em seu caminho para  Criméia. A ordem de ir para Criméia, Yanukovych deu, porque de Donetsk vinha um grupo para interceptar sua comitiva. E, como chegou à Rússia não explicou. Antes de sair de Donetsk, ele conversou com Akhmetov sobre os acontecimentos na Ukraina.

No dia 22 de fevereiro de 2014 foi ferido o policial Dmitry Ivantsov. Foram destituídos de seus cargos, o chefe da Administração Interna Koryak, o presidente da administração de Kyiv Popov. A investigação apresentou mais evidências, mas não houve tempo suficiente para decisões. Isto é, Maidan não deu tal possibilidade, - disse Yanukovych.

Yanukovych afirmou, que durante os eventos no Maidan, dentro do partido do poder, então Partido das Regiões, agia "oposição", que sob pressão de oligarcas trabalhava contra seu governo. E, ele não sabe quem deu a ordem, durante o Euromaidan, de dar aos policiais as armas de fogo.

Yanukovych não explicou como chegou à Federação Russa. À pergunta direta, ele repetiu sua versão sobre uma emboscada no caminho para Criméia. 

"Eu nunca tive, com ninguém, conversações sobre a supressão do Maidan - nem na Ukraina, nem fora de suas fronteiras. Com ninguém!" "Não, não - com ninguém eu me aconselhei, inclusive com ninguém da Federação Russa".

Yanukovych disse, que a decisão da realização do referendo na Criméia, que levou à ocupação da península influenciaram os militares da Frota do Mar Negro da Rússia. "Foi decidido iniciar imediatamente um referendo sobre a retirada da Ukraina e anexação à Rússia. Vocês sabem, que em Sevastopol havia muitos militares russos na Frota do Mar Negro. Eles influenciaram esta decisão", mas ele, pessoalmente, foi contra.

Yanukovych considera que, se permanecesse na Ukraina, isto levaria a uma guerra civil. "A guerra como no Donbas
começaria em toda Ukraina, se eu ficasse", disse o ex-presidente. Por isso, ele tomou a decisão de deixar Ukraina, e só então dirigiu o pedido ao presidente russo, Vladimir Putin.

Eu, até o dia de hoje, pessoalmente, não tirei de mim esta responsabilidade, eu a carrego diante da nação ukrainiana. E, o que se refere à nação ukrainiana, qual a sua atitude para comigo - esta é questão da nação ukrainiana. Para não procurar uma desculpa que possa humilhar o povo ukrainiano, deixemos esta questão" acrescentou ele.

Como se sabe, em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento aprovou a resolução "Devido a desistência do presidente da Ukraina do cumprimento de poderes constitucionais e determinação de eleições presidenciais antecipadas na Ukraina.

Interrogatório do Procurador

O ex-presidente Viktor Yanukovych, durante os protestos no Maidan, constantemente telefonava ao compadre de Putin, Viktor Medvedchuk. Foram fixados mais de 54 chamadas de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014.

Como era o seu relacionamento com Viktor Medvedchuk?

Yanukovych: Meu relacionamento com Medvedchuk era limitado. Nós nos encontrávamos, quando ele visitava alguns eventos. Relações pessoais nós não tínhamos. Pelo que me lembro, nossa relação era muito limitada. Nem ele, nem eu, tínhamos necessidade para encontros.

Procurador: A acusação obteve acesso temporário aos documentos que contém informações que constituem conversas telefônicas secretas. Foram estabelecidos numerosos contatos com telefones celulares de Medvedchuk,  liados a operadoras russas com o chefe de sua proteção, Kobzar. E também... (aqui ele é interrompido pela proteção) O tribunal pede ao promotor: "Faça perguntas, não relatórios".

Procurador: Eram estabelecidos pelo menos 54 contatos telefônicos entre você e Medvedchuk, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014. Informe, esses contatos ocorreram devido a Revolução da Dignidade, ou outras questões? 

Yanukovych: Eu não lembro disso. Eu não tive tantos contatos com ninguém. Eu não tive tanto tempo.

Procurador: Em 20.02.2014, entre 8:56 h e 8:59 h, justamente antes do momento, em que começaram as execuções dos manifestantes pela polícia, foram gravadas três chamadas do seu telefone pessoal número 79037096326. Depois disso, às 8:59 h o senhor, de seu telefone móvel 0503841333 ligou para o telefone de Medvedchuk +79636742183 com duração de 144 segundos. Em seguida, às 9:11 h o senhor, já de um outro celular seu, o qual era usado constantemente, 0979741501 fez outro telefonema para Medvedchuk. Com o que eram relacionados tais contatos?

A proteção protesta, mas Yanukovych responde.

Yanukovych: Eu tinha telefones pessoais. Se havia telefones para comunicação, então eles estavam com meus assistentes. Se houveram tais conversas, então, antes de tudo, foram de meus assistentes com quem quer que seja. Por isso eu não lembro tais conversas.

Procurador: 0979741501 - telefone a partir do qual você normalmente se comunica com seu filho Oleksandr Yanukovych, e os telefones, que estavam com seus assistentes, nós levantamos a questão precisamente daqueles telefones, que foram utilizados, segundo argumentos, precisamente por você. Então, realmente o telefone encontrava-se com seu guarda, mas você se dirigiu a ele. Este é o telefone, que você usa pessoalmente.
Yanukovych disse que não lembra se conversou com Putin pelo telefone.

Advogado: Não é preciso reagir. Esta é explicação do procurador, não é pergunta.

A acusação diz que Viktor Yanukovych, no caso dos tiroteios no Maidan, em 20 de fevereiro de 2014, dá falsos testemunhos.
Procurador Donskyi disse que Yanukovych não será trazido à responsabilidade pela mentira porque seu status é limítrofe, ele responde apenas como suspeito. Como suspeito, tem o direito de nada responder. Donskyi disse que Yanukovych não respondeu sobre seus contatos, nem com Medvedchuk, nem com Surkov, nem sobre o encontro de Putin com Azarov. No entanto, Donskyi disse que tem provas de contatos de Yanukovych com Medvedchuk, a hora exata e o local com o assessor de Putin, Surkov. "Eles encontravam-se no Myzhyhiria". Também há provas do encontro de Putin e Azarov - encontravam-se em Kharkiv para preparar um Congresso, que não saiu como o esperado.
Segundo o Procurador - a acusação tem mais 7 (sete) páginas de questionamentos para Yanukovych. Ele não está satisfeito - muitas perguntas não conseguiu fazer. E, parte de questões que não apresentavam motivos para desqualificação, foram desqualificadas.

A impossibilidade de ouvir resposta não dá possibilidade para verificar que Yanukovych não deu quaisquer ordens criminosas" - disse o promotor.

A sessão do tribunal na questão de "berkutivtsi" (Berkut - assim chamada milícia no período Yanukovych)  continuará em 01 de dezembro. e 02 de dezembro haverá a questionamento do ex-comandante das tropas do interior da Ukraina Stanislav Shulyak.

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O financiamento do novo abrigo sobre o reator nº 4 da usina nuclear de Chernobyl vai custar a Ukraina 600 milhões de dólares por ano.



https://www.youtube.com/watch?time_continue=435&v=lFO3cs6rfqw


Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 27 de novembro de 2016

Ukraina no mundo "antes do dilúvio": na encruzilhada entre a nova economia e ruína.
Nós já começamos perder hoje. O mundo está mudando drasticamente, mas Ukraina nem pensa no desenvolvimento de nova orientação energética e substituição de combustíveis fósseis.
Ekonomichna Pravda (Verdade Econômica), 24.11.2016
Oleg Savitsky

Com a entrada em vigor do histórico Acordo de Paris em 2016 o desenvolvimento de energia renovável  e elevação  da eficiência energética tornaram-se prioridades oficiais para as maiores economias mundiais - China, UE e os EUA.

Enquanto isso, a economia da Ukraina encontra-se, em grande parte, em um estado de incerteza de longa duração. Não orientando a energética e a política industrial no desenvolvimento de fontes renováveis de energia e substituição de combustíveis fósseis, nós começamos perder desde hoje.

Atualmente, o acordo de Paris foi ratificado por mais de 100 países, e já entrou em vigor. Paralelamente iniciaram-se mudanças fundamentais no transporte e energética. Com a conclusão da rodada da vez sobre negociações climáticas em Marrakesh isto tornou-se aparente.

O mundo começou mudar radicalmente, e estas mudanças ganham impulsos, apesar da resistência política. Atualmente, o assunto é sobre as grandes transformações econômicas, incluindo a rápida transição para as energias renováveis e a reestruturação de todo o setor energético, segundo os princípios de eficiência e segurança ambiental.

Isto acontece, porquanto tornou-se economicamente rentável. Por outro lado, tal transferência é imperativa do ponto de vista da segurança global, e até mesmo na questão de sobrevivência para os mais vulneráveis às consequências das alterações climáticas de países, incluindo Marrocos, Colômbia, Etiópia, Bangladesh, Mongólia, que declararam a sua intenção de assegurar a rápida transição de suas economias para a energia renovável.

A respectiva declaração de governos de 48 países foi anunciada na sexta-feira, no último dia de conversações climáticas de COP22 em Marakech. Este fato, durante a conferência de imprensa, dedicada aos resultados de COP22, indicou a coordenadora de rede regional de Climate Action Network Irena Stavchuk.

Para manter o aquecimento a 2 graus, que definiram como objetivo no acordo de Paris, é necessário mais ambiciosas e mais pró-ativas ações de todos os países do mundo. Para cumprir as metas do acordo de Paris, todos os países do mundo, até meados do século, devem passar para 100% de energia renovável. Nisto já não há controvérsias no nível de especialistas", - diz Stavchuk.

Em termos econômicos, os benefícios são óbvios no caminho do desenvolvimento pós-industrial baseado em tecnologia da informação, energia renovável e aumento radical da eficiência na utilização de recursos.

Por outro lado, as alterações climáticas antropogênicas e outras formas de degradação ambiental aproximam-se do ponto crítico, após o que podem tornar-se catastróficas. A partir de quais dessas mudanças - a reconstrução da economia ou a degradação ambiental - acontecerá mais rápido, depende o destino de toda a humanidade.

Os países que puderem, rapidamente, avançar pelo caminho do desenvolvimento inovador, tornar-se-ão líderes da nova economia e serão mais resistentes aos efeitos negativos das alterações climáticas. E, os países que permanecerem em estagnação, arriscam repetir o destino da União Soviética, mas com consequências sociais e ambientais piores e podem prejudicar toda a humanidade. 

A posição da Ukraina como um estado de abrupta fratura do pós-soviético sistema econômico e à beira e à beira de novo , é único em termos de possibilidades mas muito ameaçador em termos de risco.

Moderna energia - é energia renovável.

Em 2015, o investimento mundial em energia renovável ascendeu  a 286 bilhões de dólares, em combustível - 130 bilhões de dólares. 

Em 2015 China instalou 30,5 GW de capacidade eólica e 18,4 GW de energia solar. Estas capacidades são suficientes para satisfazer plenamente as necessidades atuais de energia elétrica na Ukraina.
Ao mesmo tempo o programa nuclear chinês, em larga escala, torna-se mais lento. De acordo com ele, até 2020 planejava-se trazer para exploração 19,3 GW de capacidade. China passou pela industrialização num ritmo super-rápido, incluindo o estabelecimento do complexo nuclear-industrial, mas agora os benefícios das energias renováveis tornaram-se aparentes.
Exatamente por isso as Fontes de Energia Renováveis já dominam na estrutura das novas capacidades de produção na China. Esta escolha era evidente para um país que aspira à liderança econômica global. 

Outra economia significativa que embarcou no caminho do desenvolvimento sustentável de energia é o estado norte-americano da Califórnia. Em dezembro de 2015 este estado, com uma população de 39 milhões, tem capacidade instalada, eólica e solar, de 6,1 GW e 10 GW, respectivamente, cuja maior parte foi introduzida em exploração nos últimos cinco anos.

Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, que recentemente apelava para lutar com a poluição do ar, cita isto como exemplo de que, quando há vontade política, os Estados Unidos podem rapidamente reestruturar o setor energético.

Ao contrário dos EUA, na maioria dos países europeus tal vontade política forma-se devido a exigência da população. No nível político, na UE ainda realizam-se debates sobre os rumos da possibilidade energética, mas no nível de peritos a possibilidade e a necessidade de conversão completa para energia renovável até 2050 já não está em dúvida.

Na Alemanha, em dezembro de 2015 já entraram em funcionamento numerosos parques eólicos, com capacidade total de 41 GW. Foram instalados mais de 36 GW de sistemas solares fotovoltaicos e 6 GW usinas de bioenergia. Por decisão do governo a energia nuclear será  será retirada completamente até 2022.

Atualmente, no centro de debates políticos, encontram-se as estações elétricas de extração do petróleo. Os especialistas e o público exigem completo colapso deste ramo na Alemanha não depois de 2040 e provam a viabilidade econômica de transição rápida para 100% de restabelecimento de fontes de energia.

Numa série de países as fontes renováveis de energia já alcançaram paridade de preços com as fontes tradicionais de energia e não mais precisam de subsídios para o desenvolvimento. Ao contrário das novas usinas nucleares e a carvão, cujo custo aumenta de ano para ano, por razões econômicas e políticas, o custo das fontes renováveis diminui com aceleração, porque a produção de respectivos componentes torna-se generalizada.

Desenvolvimento de energias renováveis está acelerado.

Em outubro a Agência Internacional de Energia novamente reviu as suas posições quanto ao ritmo de desenvolvimento da energia renovável e significativamente aumentou-o, inclusive sob a influência do acordo de Paris.
Entre outras razões - aumento da concorrência, avanços significativos em tecnologia, economicamente esquemas mais estáveis de estímulos ao setor de energias renováveis, política ativa de países na redução de emissões e desejo de diversificação de fontes de energia . 

Como aponta o fundador do centro analítico americano Rocky Mountain Institute Amory Lovins, a Alemanha, graças a uma política consistente ao longo dos últimos 20 anos, conseguiu construir a indústria de energia renovável, para o ponto onde as novas usinas de energia solar quase não necessitam de subsídios, e os preços da eletricidade

Ao mesmo tempo, as preocupações, quanto ameaças a confiabilidade das redes de energia não se concretizam, mas a quota de novas fontes na produção da eletricidade superou 30% a nível nacional, e em algumas regiões chegou a 50%.

De acordo com Lovins, que foi reconhecido como um dos inspiradores ideológicos da alemã Energiewende, a Alemanha pode atingir 100% de produção de eletricidade, a partir de fontes renováveis, já nos próximos 15-20 anos e muito antes de 2040.
O otimismo de Lovins também é reforçado pelas dinâmicas econômicas reais, porquanto o caráter exponencial de desenvolvimento da energia solar e eólica no mundo torna-se evidente.

Enquanto isso, a posição do lobby do carvão no mundo fortemente agitou-se e um grande número de empresas de mineração no mundo faliu. Na maioria dos países europeus a liquidação de energia de carvão está na ordem política do dia, o que afirma-se pelos exemplos da Alemanha e Holanda.

China, em 2016 cancelou 30 projetos de construção de usinas de carvão. Segundo preveem os especialistas, o mesmo destino aguarda as companhias petrolíferas em menos de dez anos. A demanda por combustível cairá por causa da eletrificação dos transportes e o desenvolvimento de serviços automatizados, com o que firmemente ocupa-se Elon Musk.

A culminação da era do carvão já chegou, petróleo e gás na vez, portanto, aqueles jogadores que continuam acreditando nos recursos energéticos de hidrocarbonetos, ariscam perder tudo.

Nosso caminho não é com o vizinho do norte.

Ukraina diante da escolha: continuar dependente da Rússia e fechar-se no passado, financiando hidrocarbonetos e energia nuclear, ou dar prioridade às medidas de eficiência energética e ao desenvolvimento de fontes de energia renovável que fornecem segurança energética, independência e permitem a construção de uma economia moderna, baseada na inovação. China, Alemanha e Califórnia, em contraste com a economia empobrecida da Rússia, apresenta-se melhor modelo.

Particularmente primitiva neste contexto é a posição atual do governo da Rússia, a única grande economia que não ratificou o acordo de Paris. Em 10 de outubro no World Energy Congress  Vladimir Putin expressou esta declaração. 

"Sim, a humanidade se move na direção de "energia verde". Isto, naturalmente, o caminho geral de desenvolvimento, o caminho certo. A demanda por energia renovável num ritmo mais rápido em comparação com a energia de fontes tradicionais. A implementação de tecnologias avançadas, incluindo aquelas como geração distribuída, potentes acumulações e as chamadas redes inteligentes, ajudam a acelerar este processo. No entanto, paralelamente, o consumo de nafta e gás continuam a crescer, embora não com taxas tão altas como antes"

Na verdade, este é o reconhecimento do atraso da economia russa e de sua dependência crítica na extração de combustíveis fósseis. Mas, mesmo reconhecendo que a economia russa se move para um "canto surdo", a liderança da Rússia não pensa em mudar o rumo e pretende continuar a existência somente através da exportação de hidrocarbonetos.

Nas conversações sobre o clima COP22 em Marakech Rússia distinguiu-se com o fato de, zelosamente promover a energia nuclear como meio para combater as mudanças climáticas, ---quando a tal propaganda já ninguém acredita. Até a França decidiu diminuir parte de energia nuclear e, gradualmente passar para fontes de energias renováveis.  À conferência veio uma delegação inteira de "Rosatom" (Companhia Estatal de Energia Nuclear - Companhia responsável pelo complexo energético nuclear do país. Sede em Moscou - OK) junto com lobistas de hidrocarbonetos. De acordo com o atraso no desenvolvimento das energias renováveis, perseguições e repressões de ativistas ambientais da Rússia recebeu da rede internacional Climate Action Network a distinção "Fóssil do ano".

Enquanto isso, as regiões industriais da Rússia, onde está alojado todo o legado industrial da União Soviética, mais imergem em depressão e começam lembrar as cenas de filmes pós-apocalípticos. Não houve nenhuma sistematização inovadora na economia russa desde o colapso da União Soviética. Em tais condições mudanças radicais são impossíveis, porque a estabilidade da estagnação - é uma condição necessária para a preservação de um sistema autoritário.

Única saída - desenvolvimento inovador.

Até 2040, a maior parte da capacidade de energia térmica e nuclear na Ukraina mesmo com a extensão improvável de usinas nucleares, esgotar-se-á o seu limite de recursos e serão desclassificados.

Para não voltar à Idade da Pedra com a Rússia, Ukraina deve enfrentar a tarefa de reconstruir o setor de energia para sistema atual. De acordo com o famoso político alemão Hans Josef Fell, autor de "tarifa verde" e pessoa que foi pioneira de Energiewende, o desenvolvimento de energias renováveis e a implementação de medidas de eficiência energética na Ukraina - único caminho para superar a dependência da energia tradicionalmente importada, especialmente gás e combustível nuclear.
Então, dependem dos projetos "verdes" - crescimento econômico, atividades adicionais da população, energia questionável, e desenvolvimento industrial do país.  

Estes pontos de vista ele expressou durante sua visita à Ukraina, em outubro, no Forum de energia sustentável em 2016, e na "mesa redonda" na Comissão do Parlamento, sobre Combustível e Energia.

Nisso também acredita o presidente da subcomissão, na questão da conservação e efetividade energética Alex Ryabchyn que fez parte da delegação oficial da Ukraina nas conversações de COP22 em Marraquexe. 

Atualmente, os líderes econômicos escolhem processos inovadores e substituição de combustíveis fósseis. Não participar dessas transformações não é confortável e perigoso, porque tal política deixa o estado na dependência energética da Rússia e dos territórios ocupados de Donbas.

Para não ficar à margem e não perder a oportunidade econômica única, a comunidade e as empresas na Ukraina devem assumir o papel de líderes transformacionais e começar a construir um futuro, a salvo de desastres.

Tradução O. Kowaltschuk