quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Os mortos começaram falar. Em Lutsk descobriram os restos de prisioneiros executados pelo regime soviético.

Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 16.08.2017
Valentina Odarchenko.


Em Lutsk acharam os restos dos prisioneiros fuzilados pelo regime soviético. Verão 2017.

Lutsk - 05 de agosto de 1937, por ordem da NKVD (Comissariado popular de assuntos internos) da União Soviética, entrou em vigor a resolução do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética de 02 de julho de 1937 P51/94 "Sobre elementos anti-soviéticos". Começou a maior, em todo o período soviético, matança de pessoas, que, segundo os comunistas eram considerados inimigos. Com base neste documento, fuzilaram em 22 - 23 de junho de 1941 alguns milhares de moradores de Volyn. Recentemente abriram uma tal vala comum.

- Isto são balas deformadas, encontradas nos restos... Neste caso - a bala do rifle Mosin (munição 7,62 calibre) - é sinal, que ela bateu em algo sólido, ela deforma-se ao bater no esqueleto, osso da pessoa.

- E este é resíduo de zinco, dos cartuchos, e aqui os invólucros do sistema. Mosin, todos eles no carregador - o que significa, que depois das execuções levadas a cabo eles ainda apresentavam relatórios. Estes invólucros são soviéticos. Aqui há mitos.

- Consideravam-se restos de roupa, roupas de lã. As pessoas eram pobres, calçados com emendas, embora fossem diversos. De modo geral eram pessoas jovens, primeiro sinal - todos os dentes preservados. 18 - 20 - 35 - 40 anos.



Assim descreviam as terríveis descobertas durante as escavações, os arqueólogos e ativistas sociais. Durante seis dias em não grande sepultura, foram descobertos os restos de 107 pessoas. A exumação realizou a empresa municipal de Lviv, do Conselho Regional para procura de sepulturas, de participantes de movimentos de libertação nacional e vítimas de guerras, deportações e repressões políticas "Dolha" (Destino), bem como historiadores e etnógrafos, junto com os arqueólogos de Lutsk Yuri Mazuryk e Viktor Bayukom.



















Em agosto de 2016 começou a reparação da rua da Catedral, que é contígua às paredes da antiga prisão (hoje mosteiro St. Arcanjo). É, exatamente então, que o especialista do Departamento do Patrimônio Cultural do Conselho Municipal de Lutsk, o arqueólogo Yuri Mazuryk conseguiu a realização de escavações de prospecção.
"Em 1944, já após a libertação de Lutsk, a prisão, pelas autoridades soviéticas, novamente era utilizada de acordo com a sua finalidade e, como evidencia um ex-prisioneiro, Ivan Manuylyk (ele esteve nesta prisão), ele era forçado cortar as cruzes destas sepulturas. Ele se recusou. Mas isto foi realizado. As covas foram arrasadas, depois asfaltadas. E, até o nosso período perderam-se os sinais visuais dessas sepulturas. Nos anos 90 a comunidade colocou sinais memoráveis nos lugares onde localizavam-se estas valas irmãs. A comunidade, repetidamente, levantava a questão de re-enterro destas sepulturas, mas não havia local conhecido, onde começavam as sepulturas. Apenas no ano passado, durante o paisagismo do território, em consequência de explorações arqueológicas, localizaram um destes sepultamentos, acumulação de restos humanos", - diz Yuri Mazuryk.

Neta do executado no território da prisão de Lutsk Franz Scherbinskiy, Tatiana Ponomarova conhece a tragédia de sua família das palavras da avozinha. Nativo do Radom (cidade polonesa), Franz Scherbinskiy, após a vinda do poder soviético permaneceu em Volyn, trabalhando como rádio-comunicador. A família tinha uma filha de 5 anos de idade, quando o marido foi preso sob acusações artificiais.

"Mamãe, naquela época, tinha 5 anos. Vovô foi preso durante a noite, no ano 1940, sem nenhuma explicação e a avozinha procurou por um longo tempo, aonde o avô desapareceu. Depois ele foi encontrado na prisão. Até o final esperou pelo tribunal e tinha certeza que não devia nada. Mas, quando saiu da sala do tribunal - pelo rosto rolavam lágrimas, e gritava para vovozinha: diga às crianças, que eu não tenho nenhuma culpa!"  Minha mãe queria dar-lhe um pãozinho porque ele estava muito extenuado, caíram seus dentes. Mas o vigia bateu na mãe com o pé e ela rolou do segundo andar pelas escadas de ferro. Quando a mãe, com a vovozinha, no terceiro dia após o fuzilamento vieram aqui - vovozinha viu o braço arrancado com as veias, e pelos botões reconheceu o braço de seu marido. Ela desmaiou", - conta a neta do falecido, Tatiana Ponomareva.

Alguns conterrâneos, milagrosamente, conseguiram salvar-se. Um deles, chamado Rozmyslovych era organista e estava familiarizado com a família Scherbinskiy.

Ele veio até nós, e contou, que no momento do fuzilamento o avô estava na sua frente. Rozmyslovych caiu antes, e foi coberto pelos corpos que caíam. E depois, a nado chegou até vovozinha e pediu ajuda. A avó, por alguns dias escondeu-o, isto está registrado nos materiais da KGB", - diz Tatiana Ponomareva.

Entre aqueles, que desde a infância sabiam o lugar assustador, em primeira mão - é a bisneta do famoso em Volyn, conhecedor de Shevchenko,(Grande poeta ukrainiano - ukrainiano - OK) Mykola Kudeli, Maria Filonyuk. No museu regional de Volyn, onde ela trabalha, há uma exposição permanente de Mykola Kudeli, um dos elementos importantes é o seu livro "Sob os muros da prisão de Lutsk". Mykola Kudeli foi seu prisioneiro político e milagrosamente escapou. Durante muitos anos Mykola Kudeli lembrava e procurava os nomes dos fuzilados, e de suas famílias. Graças a ele nos seus túmulos apareceram as placas memoriais nominais.

"Pelos seus pontos de vista políticos, dedicação a Ukraina, a Shevchenko, ele foi aprisionado ainda pelas autoridades polacas. E, com o advento do poder soviético, ele foi parar na prisão de Lutsk. No dia 23 de junho ele foi testemunha desse evento trágico. Em nossa família sempre conversavam sobre isto, o avô contava. Os muros da prisão de Lutsk também levaram meu bisavô, isto é, o sogro de Mykola Kudeli, que era um prisioneiro apolítico - ele tinha uma grande fazenda, trabalhava duro (grande fazenda na Ukraina pode ser comparada, em tamanho, com o que nós chamamos aqui de chácara, ou, no máximo, um sítio - OK). Com a chegada do regime soviético - é considerado "kurkulh" e, é preso. (Kurkulh era uma designação pejorativa e de acusação à pessoa rica. Como se ninguém pudesse adquirir bens, honestamente - OK). Antes de ir ao fuzilamento, Mykola Kudeli encontrou-se com Sydor Ivanov, seu sogro. Ivanov, sinceramente acreditava, que eles seriam dispensados e voltariam para casa. Mas, voltar não conseguiram. O sogro, que já estava com 80, perdeu a visão. Depois do fuzilamento Mykola Kudeli viu o corpo de seu sogro, que também foi enterrado em um dos buracos próximo da prisão de Lutsk", diz Maria Fionyuk.

O próprio Mykola, à noite, saiu de entre os corpos, porque conseguiu fingir-se de morto, e dele desviou-se a bala dos carrascos. Então considerou que era sua responsabilidade compor o martirológio dos mortos e perpetuar sua memória. Com isto e, paralelamente com o estudo e popularização das obras de Shevchenko ocupou-se ao longo de sua vida.

As famílias dos torturados e executados esperavam, que a sepultura seria descoberta, e eles poderiam identificar e enterrar o avozinho. No entanto, a primeira sepultura, sobre a qual souberam os de Lutsk, estava vazia, disse o participante das escavações, o historiador e etnógrafo Sergei Godlevskiy. Sergei resolveu encontrar e re-enterrar os mortos ainda no final dos anos 80, quando soube sobre a tragédia em Lutsk em junho de 1941. Mas isto não foi fácil.

"Há relatos, que nos anos 50-60, quando a prisão já não funcionava, lá havia uma auto-coluna (auto-comboio ?), a instalação estava fechada, e à noite trabalhavam as escavadeiras e, parece, que retiravam algo. Existe a lenda, que eles foram jogados em Lutsk, no aterro, dizem que levaram sob a construção da estrada de Lutsk-Dubno. Mas o primeiro buraco descobriu-se vazio. Aqui, depois de breves pesquisas encontraram um buraco  começaram içar os corpos. Encontraram boquilhas, piteiras, colheres de madeira, pentes, restos de vestuário. Prometeram que até o final de setembro haverá perícia forense. e revelarão a idade, sexo, causa da morte. Isto nós já sabemos, mas há nuances processuais, que devem ser feitas," - diz Sergei Godlevskiy.

"Foi possível estabelecer, que isto é realmente enterro na cratera da bomba, que nesta sepultura foram enterradas 107 pessoas, colocadas muito próximas, sem qualquer sistema, continua ele. - Em alguns restos na caixa craniana - buracos de bala, sinais de morte nos ossos, de ferimentos com armas de fogo, no solo sobre o túmulo foi encontrada grande quantidade de cartuchos da espingarda Mosin, metralhadora do sistema Degtyaryova e revólver "Naga". Os restos guardam-se aqui, no mosteiro, os funcionários do bureau de Volyn realizarão perícia, para avaliar a causa da morte das vítimas".

A vice presidente do Conselho Público de Volyn Mariana Sorochuk diz, que durante o ano, ativistas civis reuniam historiadores, etnógrafos, deputados, os quais finalmente decidiram, que é necessário honrar corretamente e enterrar os restos mortais desses inocentes mortos. O governo da cidade alocou para estes trabalhos 100 mil UAH.


















"Criaram um grupo de trabalho especial, com representantes do Instituto de Memória Nacional, etnógrafos, historiadores. Os trabalhos dos especialistas em pesquisa de restos, continuarão em Setembro, e então poderemos enterrá-los. No momento, escolhemos o local no pátio do mosteiro", - diz Mariana Sorochuk.

Todos os dias no templo dos Novos Mártires os monges rezam pela alma dos mortos.

Pelo fato do assassinato em massa, cometido pelo regime totalitário no território da prisão de Lutsk, foi instaurado processo penal.

Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 15 de agosto de 2017

720 mil nomes. Já por 25 anos Ukraina recolhe informações sobre vítimas da repressão do período soviético.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 12.08.2017
Alexandra  Wagner                                                                                                                                              

Crânios de vítimas da repressão stalinista da vala comum, em barranco próximo a Demyaniv Laz, Ivano Frankivsk. Foto de 1989. Foto de 1989. Durante as escavações encontraram restos humanos e, em seguida, identificaram 524 pessoas, executadas em junho de 1941. A descoberta e abertura de valas comuns de vítimas das repressões stalinistas era parte dos processos da libertação nacional na véspera do colapso da URSS.

25 anos atrás o Gabinete de Ministros da Ukraina aprovou  o programa "Reabilitados pela história" que, com base em dados de arquivos, recolhessem informações sobre cada não fundamentado condenado no período de 1917 a 1991, como também fazer um estudo detalhado sobre as repressões na URSS. No início planejava-se editar 25 livros - um por cada região (estado) da Ukraina. No entanto, aqueles pesquisadores, que iniciaram este trabalho no início dos anos 90, não podiam imaginar qual a escala do que aconteceu.

Hoje, a lista de nomes dos represados no território da Ukraina e materiais de arquivos sobre a máquina punitiva soviética - são 110 enormes volumes, e em planos - mais 20. Em algumas regiões para descrição das repressões, precisarão de alguns volumes, por exemplo, na região de Donetsk, onde a repressão afetou o maior número de pessoas, de todo o território da Ukraina.

De acordo com o funcionário do Instituto de História da Ukraina Oleg Bajan, o qual participou do programa "Reabilitados pela história", o impulso para o início de tão grande trabalho no espaço pós-soviético a investigação fez a sociedade, que após o início da reestruturação necessitava resposta à pergunta, de quem aqueles corpos no local de valas comuns na floresta Bykivnia. A Comissão Estatal do Conselho de Ministros da URSS, criada em 1987 não foi capaz de quebrar o silêncio e dizer que trata-se das vítimas da NKVD - prisioneiros executados, principalmente, nas prisões de Kyiv. Ao mesmo tempo, as publicações na imprensa sobre sepulturas em Bykivnia continuavam, e descobriu-se, que ainda no início dos anos sessenta o poeta Vasyl Symonenko, a artista Alla Horska e o diretor teatral Les Tanyuk, depois de visitarem as valas comuns dirigiram-se ao prefeito de Kyiv (a aldeia Bykivnia fica nos limites da cidade) com a proposta de criar lá um memorial. Pouco depois, em circunstâncias estranhas foi assassinada Alla Horska, muitos acusaram KGB pela sua morte.



Crânios de vítimas da repressão stalinista, da vala comum no barranco Dem'ianiv Laz próximo a Ivano Frankivsk, executados em junho de 1941.

Depois destas publicações em 1992, o Parlamento aprovou, em nível estatal, o apoio à intenção de responder a todas as questões, relativas à natureza do governo bolchevique e das repressões políticas durante a era da União Soviética. O presidente do Conselho Editorial do programa "Reabilitados pela história" foi nomeado o acadêmico Petro Tymofiovych Tronko, do Instituto de História da Ukraina e um dos que escreveram ao presidente e aos deputados com o pedido de apoio ao programa. Em cada província da Ukraina foram criadas redações com cientistas, jornalistas, historiadores locais, que se envolveram com o tema das repressões.

Hoje, o número de pesquisadores em todo o país chega a milhares de pessoas. Bastante tempo eles dedicam aos arquivos, portanto, nas preparadas publicações muito espaço é dedicado aos documentos da polícia secreta soviética, que refletem a específica da repressão nos lugares. Além disso, na medida do possível, os pesquisadores coletaram relatos de testemunhas oculares, memórias de sobreviventes para preparar os perfis de cada pessoa reprimida.




Restos dos prisioneiros do regime soviético, que foram fuzilados em Lutsk, 22 e 23 de junho de 1941. Verão 2.017.

Segundo o historiador Oleg Bajan, os especialistas ukrainianos, no início, não acreditavam na estatística, utilizada pela polícia secreta soviética, e decidiram verificá-la mais uma vez.

Oleg Bajan
- O fato é que, alguns documentos sobre a estatística da repressão política são mantidos nos arquivos do SBU (Serviço de Proteção da Ukraina). Isto é aquilo, que se comentava. Nós, com base nos arquivos, agora podemos conhecer os números reais. Nós personificamos esta estatística. Hoje, nos arquivos, há dados sobre 720 mil reprimidos. A relação, com base no arquivamento investigativo da questão é instituída para cada pessoa. Mesmo, se a questão fosse coletiva, tudo é registrado no cartão, menciona-se, quem pertencia a esta questão e era preso, quem foi baleado ou enviado para campos de trabalhos forçados. Através deste programa nós podemos saber o nome e sobrenome desta pessoa, seu destino e, com responsabilidade, falar sobre o corte social e nacional. 

Isto é muito importante, porque no período do Grande Terror foram feitas muitas falsificações com documentos, que 
eram entregues do alto, do centro do distrito à região (província), não eram confiáveis.  Isto se aplica não tanto a quantidade, quanto ao estatuto social ou nacionalidade. Era relacionado com isto, é que os chequistas forneciam o plano que, por exemplo, na linha polonesa, na romena, etc. deveriam prender tal e tal número de pessoas. E, o gráfico de "nacionalidade" concluíam conforme a exigência no alto; afinal, eles precisavam receber os distintivos para não se transformarem em inimigos da nação ou traidores da causa comum, que não realizam política indispensável...



      Livros da série "Reabilitados pela história."

Além dos livros por nós editados, listas nominais dos reprimidos podem ser encontrados no "Banco Nacional dos Reprimidos" - é um site criado em conjunto com o Instituto Ukrainiano de Memória Nacional. Lá, por enquanto foram incluídos os nomes de 209.000 pessoas. (O endereço para quem quiser é:  "Національний банк репресованих". Em breve nós incluiremos dados de mais 180 mil, para que as pessoas possam encontrar informação de seu parente. La pode-se procurar pelo sobrenome, e pelo local de residência. Um programa similar existe na Rússia. Nós sabemos que a Sociedade "Memorial" já publicou mais de 4 (quatro) milhões de reprimidos em todas as regiões da URSS. No entanto os nossos questionários são mais detalhados. Esperamos que, quando introduzirem os dados de todas as pessoas, o programa nos ajudará calcular, quantos foram reprimidos pela nacionalidade, pela composição social (trabalhadores, camponeses, intelectuais), o programa fará a seleção para as regiões. E tudo isso ajudará análise mais profunda.

- O quanto dizem respeito à estatística oficial os números que você recebe graças a estes estudos?

- Todos nós sabemos que durante o Terror Vermelho, e isto na Ukraina foi de 1919-1921, foi o menos preservado nos arquivos. No entanto, devido ao programa atual, pelo menos alguma coisa podemos saber sobre este período. Isto nos dará a possibilidade, de avaliar com precisão, a extensão da repressão do período NEP (Nova Política Econômica).  Não é segredo, que no período da Segunda Guerra Mundial, quando houve a evacuação do território da Ukraina, muitos documentos foram destruídos. Não devemos esquecer que Krushchev, que começou a crítica do culto a Stalin, deu ordens para destruir os documentos relacionados com ele pessoalmente. Mas ele, então, era o primeiro secretário da organização do Parido Republicano Ukrainiano. Por isso muitos documentos foram "apagados" no arquivo do partido, e no SBU. Somente na base de questões de investigação criminal, nós podemos reconstruir o quadro das repressões. Com simples meios mecânicos, tendo informações sobre cada condenado, nós podemos obter resultados importantes.

- A estatística ainda não é definitiva, porque há alguns anos foi permitido o acesso a uma ampla gama de documentos nos arquivos. Mas, ainda assim, já agora há a idéia de que, por exemplo, em que províncias havia mais reprimidos, e em quais menos, quantas pessoas sofreram repressão?

- Na Ukraina de 1917 a 1991, sob o peso da repressão caiu mais de um milhão de pessoas. Mais afetada pelo número sofreu a região de Donetsk. Ela, nos tempos soviéticos era a mais populosa, se considerar sobre limites administrativo-territoriais. No final dos anos 30 as repressões foram maiores nas regiões da Ukraina que limitam-se com a Polônia e Romênia. Relacionado com isto, é que neste período, especialmente iniciado de 1935 - 1936 começou o despejo de "elementos não confiáveis" (Esta referência não era aos bandidos, era às pessoas mais esclarecidas e cansadas do jugo dos ocupantes russos - OK) de zonas fronteiriças. Segue a região de Odessa, a então região Kam'ianets Podilskyi - agora Vinnytsia, Khmelnytsky, Zhytomer - antiga Volen. Nós também podemos falar sobre as regiões metropolitanas até 1934 - Kharkiv e em seguida Kyiv.

- E as pessoas? De que segmento da sociedade eram?

- Certamente, sofreu mais a aldeia ukrainiana. E agora nós estudamos não apenas o arquivo do SBU, como também o arquivo do Ministério dos Assuntos do Interior, aonde agrega-se a mais nova relação dos reprimidos durante a coletivização, porque trata-se de deportados, contra os quais não havia questão. Eles eram levados de acordo com as listas. Na aldeia havia a desapropriação e luta com o movimento rebelde do período da revolução ukrainiana, período de política do comunismo militar. Certamente, isto era relacionado com o fato dos agricultores serem portadores de identidade ukrainiana a qual queriam erradicar.

Durante o grande terror na Ukraina maciçamente realizavam-se as chamadas operações nacionais. Ukraina fazia fronteira, como considerava Stalin, com países hostis à União Soviética. Eram a Romênia e a Polônia. Nos anos 30 deportavam ou exilavam aos campos os representantes de nacionalidade polonesa, de Odessa deportavam romenos. Sob suspeita estava cada um, que estivesse relacionado com a revolução ukrainiana, com o movimento ukrainiano nacional-libertador, quem participava ativamente no serviço dos órgãos estaduais - Diretório, do tempo de Petlhura, Conselho Central Hetman Skoropadsky. Quando as instruções vinham de cima para iniciar as prisões em massa, essas eram as primeiras pessoas candidatas para aprisionamentos. Neste sentido pode-se falar sobre especificidade ukrainiana. Embora, se nós falamos sobre o Grande Terror, então as prisões em massa e as operações chekistas foram semelhantes: tanto em Novosibirsk , quanto na Ukraina ou na região de Moscou, tudo vinha de cima, os dados indicavam-se anteriormente.

- Criméia anexada. Donetsk e Lugansk, parcialmente sob a autoridade dos separatistas. Como vai o trabalho? Se conseguiram os pesquisadores dessas regiões estudar todos os arquivos, antes do início dos recentes eventos?

- Preparação dos dados pessoais dos reprimidos terminou terminou antes da ocupação. Agora, a questão é a publicação destes documentos. Se em Lugansk e Donetsk o trabalho já foi concluído, então sobre a Crimeia nós ainda não digitamos tudo. Alguns arquivos da Criméia, por algum tempo ficaram em Kyiv, quando, por exemplo, durante a publicação da coleção de documentos sobre deportações da Criméia. Um banco de dados dos reprimidos na Criméia, está em Kyiv.

Comentários:
Lyudmila Markevich: 
Meus bisavô e primos, de Chernigov, foram condenados porque não aceitaram entrar na fazenda coletiva. Foram levados para minas de urânio... e lá morreram ignotos... O avô era o mais moço, ganhando uma porção de feridas não curráveis , voltou para aldeia, casou com a avozinha. Eles tiveram três rapazes, entre os quais meu pai, mas depois da guerra o avô morreu. O pai e os irmãos, na aldeia, eram considerados inimigos da nação... (Ideia plantada pelo governo) O medo devido a esta história familiar, tanto tempo ficou no coração do pai, que apenas a alguns anos atrás, quando ele atingiu 70 anos, ele me contou a verdade, porque antes havia algumas meias respostas.  Escrevo e coração rompe-se da dor pelos parentes e ódio aos verdugos e aos seus apoiantes, que espero queimem no inferno... Mas sobre parentes gostaria saber mais. Espero, que isto será real... 
Obrigado por seu trabalho.

Svitlana Rozhkova - Kumeiko:
Os arquivos todos em Moscou, no Kremlin e por isso é preciso depois da mudança do governo pulicar e sacudir como o colchão na luz do dia, da poeira e traça. Mas a Rússia tudo acomoda... e enquanto Rússia existir, sossego não haverá para ninguém... infelizmente.

Victória Oshovska:
É claro, que já ninguém responderá por todas estas atrocidades, mas os ukrainianos, necessariamente, precisam saber a verdade que tem sido escondida da nação. Para que os atuais protetores do sovietismo não se atrevam enganar a juventude e contar-lhe, como tudo era bom na lama soviética.

Ippolit Ostashewski, de Kyiv:
Isto serão  verdadeiros e terríveis testemunhos do período bolchevique. A resposta por tais atrocidades deve assumir quem? qual regime? ou os cúmplices vivos q​recebem alguns benefícios?

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 13 de agosto de 2017

Escândalo com o passaporte: é suficiente a reação da Ukraina à provocação polonesa?
Europeiska Pravda (Verdade Européia), 08.08.2017
Yury Panchenko 











Polônia continua gerar escândalos com seus vizinhos. Agora - novamente com Ukraina. E, para companhia - também com a Lituânia.

Motivo do conflito da vez - no novo desenho do passaporte polonês, que está programado para coincidir como 100 º
aniversário da restauração do estado. O Ministério do Interior da Polônia publicou as imagens  que devem estar nas páginas do novo passaporte. Com elas, segundo o ministro Mariusz Blaschak "quiseram homenagear aqueles que derramaram seu sangue pela liberdade do Estado polonês."

Parte dos desenhos já confirmada, entre eles - "Memorial de águias" em Lviv. No entanto, a falta de tato (ou provocação) do governo polonês não termina aqui. Entre ilustrações não aprovadas, que o governo polonês decidiu apresentar para colocar na votação online - Portal aguçado, um dos importantes marcos da capital lituana.

Ponto ilustrativo: se o Portal - em primeiro lugar lembrança espiritual (no seu interior há uma capela com ícone famoso), então a presença, no passaporte, do lugar do enterro dos protetores do então Lviv polonês, do exército ukrainiano, pode ser compreendido como reivindicação do território.

Claro, Varsóvia oficial salienta, que tal semelhança é enganosa, que estas imagens não significam quaisquer reivindicações territoriais aos países vizinhos, apenas enfatizam o papel especial destes monumentos à identidade nacional (o que é verdade).




No entanto, até na Polônia, este passo causou uma reação variada. Em especial, a Gazeta Wyborcza pediu comentários ao MIA (Ministério dos Assuntos do Interior), se lá não consideram, que os motivos fora da atual Polônia, podem levar a tensões entre os países. "Imaginemos a reação do nosso MIA, se, por exemplo, Alemanha colocar nos seus passaportes as imagens de Breslau ou Shtetnina (hoje poloneses Wroclav e Szczecin - Red.) - escreveu Bezprawnik.
No entanto, hoje o polêmico projeto de novos passaportes critica, principalmente, a mídia polonesa de oposição. Então, é possível, que tal crítica somente reforçará a certeza dos funcionários do governo, que eles adotaram a decisão certa.

E, esta confiança permaneceria firme na ausência de um escândalo diplomático ressonante... mas, sem ele, obviamente, não passará.

Primeiro reagiram os lituanos.

Em 04 de agosto, o ministro do exterior da Lituânia, Limas Linkyavichyus convidou o temporário embaixador polonês na Lituânia. "Nós explicamos a ele a situação e dissemos que tal não devia acontecer... Não é normal, quando aproveitam fatos de outro país, principalmente, sabendo que em nossa história houve diferentes páginas. O que refere-se a Vilnius, o destino deste país, ainda doi muito. Então, é necessário levar em conta estas circunstâncias", - disse Linkyavichyus.

Da declaração da presidente da diplomacia lituana. ("o quanto nós sabemos, a posição dos ukrainianos é parecida", disse ela) também seguiu-se que estas questões Vilnius discutiu com Kyiv. Portanto o passo similar do lado do Ministério dos Negócios Estrangeiros ukrainiano foi bastante esperado.

Finalmente, Kyiv reagiu. Em 7 de agosto o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Polônia Jan Pieklo.

"Ukraina considera tais intentos como um passo hostil, que afeta negativamente no desenvolvimento da parceria estratégica ukrainiana-polonesa", - diz o comunicado do Ministério do Exterior.

Vale ressaltar, que nos últimos meses esta não é a primeira vez, quando Ukraina é obrigada a reagir a ações hostis da Polônia.

Para comparação, vale recordar o conflito do ano passado em Pszemysl, Polônia, em consequência do qual foi a proibição para entrada na Ukraina, do presidente desta cidade, Robert Khomi. Esta decisão tomada pelo Serviço de Segurança da Ukraina, sem consultar o governo, causou uma forte reação em Varsóvia. Afinal, a proibição precisou-se cancelar, o que colocou Ukraina em posição desconfortável.



O ponto fundamental desta vez: o MIA ukrainiano agiu com cautela mas corretamente. Ele coordenou suas ações com Lituânia, abstendo-se de medidas unilaterais. Portanto, a reação ukrainiana atual parece mais adequada que a anterior. No entanto, dando possibilidade a um escândalo internacional, estamos preparados para sua escalação? Com outras palavras - temos plano para o caso da Polônia não concordar em trocar as imagens nos seus passaportes? A probabilidade de tal cenário é bastante elevada - pelo menos porque o atual governo polonês raramente reconhece seus erros.

Neste caso o que fará Ukraina? Limitar-se-á a uma nova declaração? Encontrará um caminho para apelar? Ou tentará responder a estas ações com suas?

Vale a pena lembrar - Varsóvia, nos últimos anos, regularmente, "testa" a reação de seus vizinhos, uma vez após outra recorre a novos passos controversos. Portanto, a falta de reação de Kyiv motiva nossos vizinhos para uma nova exacerbação.

A decisão final sobre o projeto do novo passaporte deve ser tomada em setembro.  O governo polonês ainda não comentou este incidente, o que sugere que a decisão final ainda não foi aprovada. Em qualquer caso, o verdadeiro escândalo começará no outono. E, para isto precisa estar preparado.

O pior cenário para nós - se Varsóvia desistir do cenário que irrita Vilnius, mas não fará concessões a Kyiv. Então é necessário mobilizar o apoio de Vilnius, para poder trazer esta questão ao nível da UE. Juntos provar que isto não é um acidente. Afinal, quanto mais ativo Kyiv for agora, será mais fácil para nós, mais tarde, opor-se às declarações polonesas, como: Com "Bandera, Ukraina para UE não entra".

E, que declarações semelhantes haverá, dúvidas já não há.

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Oleksa Tykhei. Por que o professor de Donetsk tornou-se inimigo Nº 1 para URSS? 
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 10.08.2017
Aliona Kachkan


     "Eu não quero que Donbas dê apenas carvão". - 
      Alex Tykhei - professor, 1927-1984  -  co-fundador do Grupo Ukrainiano de Helsinki.

Ele foi preso por causa da carta, e pelo artigo contra russificação deram 10 anos em campos de concentração. Internacionalista por convicção, defensor do idioma ukrainiano, professor em Donetsk, estudou em Moscou, mas estava convencido, que sem o idioma cessa o progresso e morre a cultura  - tudo sobre Oleksa Tykhei (Тихий) sócio - fundador do Grupo Ukrainiano de Helsinki. Para ele a educação e pensamento crítico eram as chaves da oposição contra a ilegalidade sistemática da burocracia repressiva da União Soviética. 

Eu sou ukrainiano. Não apenas um indivíduo, dotado de certa imagem, com capacidade de andar sobre duas pernas, com o dom da fala articulada, com o dom de criar e consumir riquezas materiais. Eu sou um cidadão da URSS mas, antes de tudo eu - sou cidadão do mundo não coo órfão-cosmopolita, mas como ukrainiano", - escrevia Oleksa Tykhei em "Reflexões sobre nativa região Donetsk".

Por causa da língua e da cultura, os ukrainianos precisam conquistar sua independência, assumir a responsabilidade pelo seu futuro, considerava Tykhei. Mas estava convencido, que sem um consciente estudo, conhecimento do mundo através das obras dos clássicos mundiais  (não apenas dos reconhecidos pelo sistema soviético), viagens e novas idéias, é impossível educar pessoas e nações dignas, onde a porcentagem de cientistas será alcançada por 20 - 50% da população.

Professor rural intelectual.

Oleksa Tykhei nasceu na aldeia Yizhivka na região de Donetsk, em 27 de janeiro de 1.927. Devido à sua capacidade entrou na Universidade de Moscou, na Faculdade de Filosofia.

Já então, aos 21 anos, quase foi preso pela crítica, de não haver alternativa nas eleições, na União Soviética, com um único deputado.

Tykhei, conscientemente, foi trabalhar como professor de aldeia, para ensinar as crianças ukrainianas "fazer o bem às pessoas, elevação de nível material e cultural, busca da verdade, luta pela justiça, dignidade humana, responsabilidade cívica, para que "não apenas com pão vivesse a pessoa."

Oleksa Tykhei salientava, que o Estado não pode impor o idioma de comunicação, como realizar o entretenimento, que livros ler, impor os interesses. (Komsomol = All - União leninista da Juventude Comunista. ("All" - União leninista da Juventude Comunista ; "ALL" dá idéia de "todo, toda").

Komsomol e tabus sociais na União Soviética não podem educar indivíduos independentes e responsáveis, considerava ele.

A juventude precisa de ações concretas, direito e possibilidades de procurar e encontrar a liberdade, para seu caminho. Às vezes podem ocorrer erros, perversão, mas o dano por eles seria muitíssimo menor, do que da total dependência dos mais velhos, quando à juventude é dado o papel de, apenas, obediência e execução de instruções sem hesitação e dúvidas", - criticava o professor da aldeia os caminhos do Komsomol, da juventude soviética, que trouxe o automatismo, a "glorificação do partido, Lenin e comunismo".

Revolução húngara de 1.956: "escola soviética entrou em impasse". Mais de 20 mil manifestantes húngaros sofreram durante a "limpeza" do levante de Budapeste contra a política pró-soviética do governo húngaro. O exército soviético invadiu e sufocou a rebelião para não permitir  à Hungria sair da esfera de influência soviética. Oleksa Tykhei publicamente criticou o massacre de manifestantes e escreveu na carta, que o "comunismo na União Soviética não se constrói".

Oleksa Tykhei na juventude
Por tais pontos de vista anti-soviéticos Oleksa foi condenado para 7 anos de prisão e 5 anos de privação de direitos civis e foi enviado, no início, para prisão de Vladimir, conhecida como "Central de Vladimir", e depois para Dubovla

No veredicto anotaram: "Fazia calúnias ao PCUS (Partido Comunista da União Soviética) e à realidade soviética. Justificava as ações dos contra-revolucionários revoltosos e expressava chamadas para derrubada da ordem estatal da URSS."

"Para meu Donetsk não fornecer apenas fãs de futebol..."

Depois da prisão Oleksa Tykhei não conseguiu mais emprego como professor, ele trabalhou em bibliotecas de diferentes cidades, passava por reciclagens, viajava aos lugares históricos de vários modos apoiava seus amigos aprisionados, enviando-lhes cartas de saudações, escreveu Basil Ovsiyenko.

Oleksa Tykhei escrevia muito sobre a russificação de Donetsk e a necessidade de restaurar a cultura ukrainiana, sobre o retorno do idioma ukrainiano nas universidades e escolas. Apresentava-se contra quaisquer política de assimilação de grupos étnicos. Aqueles, que diziam ser Rússia sua terra natal é necessário cobrir de vergonha, escrevia ele em suas "Reflexões sobre o idioma e cultura da região de Donetsk".

"Como compreender aquele, que vive em Donetsk na Ukraina, mas como pátria considera Rússia? Imigrante ou ocupante? Se olhassem para um índio ou canadense, que afirmasse que sua pátria é Inglaterra (com o fundamento de que Índia e Canadá fazem parte do Commonvealth?" - pensava ele.

Oleksa Tykhei era contra a discriminação com base na nacionalidade, mas "a favor" da defesa do idioma e cultura no Donbas.
"Eu aprovo, que Donetsk dê não apenas fãs de futebol, acadêmicos - sem pai, engenheiros russo-falantes, agrônomos, médicos, professores, como também ukrainianos, especialistas - patriotas, - ukrainianos poetas e escritores, ukrainianos compositores e artistas", - dizia Tykhei.

Com tais pontos de vista Oleksa Tykhei não podia deixar de apoias os dissidentes e ativistas de direitos humanos ukrainianos, que em novembro de 1976 anunciaram a criação do Grupo Ukrainiano de Helsinki para promover a implantação dos Acordos de Helsinki. Ele tornou-se seu co-fundador, juntamente com Mykola Rudenko, Oksana Meshko e outros.

"Vocês viverão em suplício e por pouco tempo."

A punição pela atividade legal no país, "onde com tanta liberdade respira a pessoa" - não tardou. Oleksa Tykhei  condenaram para 10 anos de privação da liberdade, culpando-o de "agitação e propaganda anti-soviética". Isto aconteceu em 1977.

Como observaram os membros do Grupo Ukrainiano de Helsinki, para uma pessoa de 50 anos, que já passou 10 anos em campos de trabalho e minou sua saúde, tal sentença era de morte. 

Em Mordóvia quase todos os prisioneiros apresentavam problemas digestivos e de sistema cardiovascular. Tykhei também teve úlcera no estômago, mas ele iniciou greve de fome para 52 dias, para protestar contra as condições desumanas de detenção dos presos políticos, lembra Levko Lukyanenko (Este senhorzinho, com 88 anos, está vivo, bem de saúde, e reside na Ukraina - OK).

Tykhei era mantido no cárcere, "era, justamente, o período de mosquitos. Ele, deitado no chão, era comido pelos mosquitos", pesava 40 quilogramas, escreveu Basil Ovsiyenko. Fizeram-lhe uma cirurgia, mas depois cresceu a hérnia.

"Você viverá pouco e em tormento", - disse-lhe um dos médicos e, durante a cirurgia, costurou-lhe o estômago na aparência de relógio de areia", , para que o processo da digestão passasse extremamente doloroso, afirma Basil Ovsiyenko.

Ao gravemente doente Tykhei, com especial cinismo, todo o tempo negaram-lhe o direito a visita de familiares, culpavam-no em "violação do regime de acampamento". No entanto, tudo isto não obrigou-o a escrever "arrependimento".

Herege, que arde.

Em 1980 Oleksa Tykhei foi transferido para o campo de prisioneiros políticos em Kuchin. Lá permaneciam outros membros do Grupo Ukrainiano de Helsinki, entre os quais Vasyl Stus, Valeriy Marchenko, Yuriy Lytvyn, Levko Lukyanenko.

Basil Ovsiyenko esteve com Oleksa Tykhei na mesma célula. Ele lembra, que "Oleksa nunca se queixava, tinha uma vontade de ferro e sempre iniciava conversas sobre temas filosóficos". 
"O tema favorito de seu discurso - pedagogia. Este deveria ter sido um excelente professor ma, digo, em vez de cátedra ele teve ele teve trabalho físico duro. Nesse sentido, em sua pessoa, nós temos "força caída. Tykhei tinha clara consciência, que a questão de libertação da nação exige sacrifício dos melhores", - escreveu Ovsiyenko.

Em celas disciplinares (células de castigo) Tykhei  esteve três vezes, durante 15 dias, o que fez sua saúde tornar-se catastrófica. Ele foi transferido para o hospital e de lá voltou para cela, "como removido da cruz", - escrevia em suas "notas de campo" Vasyl Stus.

Em 06 de maio de 1984 Oleksa Tykhei morreu no hospital da prisão. Os membros do Grupo Ukrainiano de Helsinki afirmam que ele foi deixado sem assistência.

Para honrar a memória do amigo Levko Lukyanenko e Vasyl Ovsiyenko anunciaram greve de fome.

"Oleksa era o meu maior amigo. Ele era um modelo de nacionalista ukrainiano, com uma alma muito boa", - diz Levko Lukyanenko.

Em 1989 os amigos e o público trouxeram os restos de Oleksa Tykhei e os enterraram em Kyiv, junto com Vasyl Stus e Yuri Lytvyn.

Na Colônia de correção ou Câmera da morte para prisioneiros políticos. Aqui morreram quatro membros do Grupo Ukrainiano de Helsinki.:
Yuri Lytvyn, poeta, .  Foi encontrado na câmara com barriga cortada.
Valeri Marchenko - conhecedor literário. Sofria com pedras nos rins. O juiz soviético condenou-o para 15 anos e considerou-o criminoso reincidente. Depois do colapso da União Soviética o mesmo médico reabilitou-o. 
Vasyl Stus - poeta. Dirigiu-se ao Parlamento da União Soviética com renúncia da cidadania soviética. Escreveu aproximadamente 100 poesias, preservaram-se apenas seis. Nos últimos dias anunciou greve de fome "até o final". Morreu no cárcere na noite de 4 de setembro de 1985. O motivo não é conhecido.


Re-sepultamento de Vasyl Stus, Yuri Lytvyn e Oleksa Tykhei

Tradução:
 O. Kowaltschuk

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Notícias da Ukraina
Imprensa ukrainiana, 08-09.08.2017

No Estado Maior informaram o número de soldados mortos  das Forças Armadas da Ukraina, desde o início do ATO - são 3.178 pessoas - até 08.08.2017.
No mês de julho de 2017, morreram 22 defensores e 80 receberam ferimento

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No Ministério disseram que a necessidade de habitação para todos os deslocados, o Estado precisa de 20 a 40 bilhões de dólares, declarou o vice-ministro dos territórios ocupados, Yusuf Kurkchi, numa conferência em 08 de agosto.
Na Ukraina, atualmente registrados há 1.586.709 deslocados ou 1.276.743 famílias de Donbas e Criméia. (O número de famílias  e de deslocados  é bastante próximo. Será isto mesmo? - OK)

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ONU: Durante o ATO os ukrainianos, frequentemente, pediam asilo na Rússia, num total de 427,2 mil -  na Alemanha
9,3 mil - na Itália - 4,3 mil - na Polônia - 3,5 mil - na França 3,1 mil. Estes dados referem-se ao ano 2014.

Em julho a Duma Estatal da Rússia aprovou alterações simplificadas para obtenção de cidadania da FR, com base na renúncia da cidadania ukrainiana. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ukraina chamou a obtenção simplificada da cidadania russa de "completo desrespeito pelo direito internacional e cidadania de outros Estados."

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Quinze "berkutivtsiv" (Polícia do ex-presidente Yanukovych - OK), envolvidos no tiroteio da Rua Instytutska, em 20.02.2014, receberam a cidadania da Federação Russa (Eles também batiam nas pessoas em manifestações anteriores, por ordem de Yanukovych -OK). Um deles já era cidadão da Rússia desde 1.999.

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Em julho Duma Estatal da Rússia aprovou uma alteração simplificando aos ukrainianos a obtenção da cidadania da Federação Russa sob renúncia da cidadania ukrainiana. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ukraina chamou esta simplificação de "... um completo desrespeito pelo direito internacional e soberania de outros Estados." Na declaração observa-se que "... a negação da cidadania da Ukraina, na forma de envio de uma declaração autenticada, de rejeição da cidadania ukrainiana no plenipotenciário órgão da cidadania do país é vazio segundo sua essência e conteúdo."

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Ao Donbas vieram franco-atiradores de Rostov (Rússia) e um batalhão da Chechênia.


Tymchuk:  O reconhecimento registrou os mercenários russos em Novoazovsk, na região de Donetsk. O texto cita o tiroteio em 13 localidades controladas pelo exército ukrainiano. E, para desacreditar as Forças Armadas da Ukraina e desinformar a imprensa, os russos também atiraram sobre sete locais sob o seu controle.

Continua a complementação de unidades com atiradores treinados em Rostov - FR. Também vieram militares russos da região de Volvograd e da Chechênia, para exercer maior controle sobre os combatentes das ditas Repúblicas de Donetsk e Lugansk, anteriormente colocados  no Donbas, porque ultimamente há deserções entre os combatentes russos ou pró-Rússia. Para sua "volta" para Rússia, veio um grupo tático da Guarda Nacional da FR.

Para garantir a atividade das unidades durante uma semana, foi entregue 730 toneladas de combustível, 170 t. de munição, duas unidades de 122 mm de lançadores múltiplos de foguetes.

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Na DNR verifica-se uma seleção de candidatos de militantes de nível médio e superior para envio a Moscou, para um curso de estudos, baseados em uma das academias militares do Ministério da Defesa. A duração dos cursos especialmente organizados para os "comandantes" de militantes - 3 meses.

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Continuam reagrupamentos e reforços das tropas inimigas nas áreas da linha de frente da zona ATO.

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Chefe da Polícia Nacional Sergei Knyazev disse que, ao longo dos últimos 7 (sete) meses, Rússia mandou para Ukraina 29 "ladrões na lei".  "O último detido no aeroporto internacional "Borispol" confirmou mais uma vez que Rússia envia "ladrões na lei". Depois de questionar o detido em "Borispol", e depois expulsá-lo do país, o "ladrão na lei", apelidado "Petso", nós recebemos uma resposta clara - a eles é dado comando para, através de provocações desestabilizar a situação no nosso país", - disse ele.

Comissão polonesa: na asa esquerda da avião de Kaczynski há vestígios de explosão.


A comissão polonesa que ocupa-se com o re-exame do desastre de Smolensk falou sobre vestígios da explosão na asa esquerda da aeronave.

Segundo o ponto de vista da comissão "a destruição da asa esquerda do Tu - 154 da asa esquerda do avião Ty-154 M tem sinais de explosão" - declarou a comissão.

Em maio de 10 de abril de 2.010, próximo do aeroporto "Severny", perto de Smolensk, caiu R-154 M com o presidente da Polônia Lech Kaczynski a bordo.
Na catástrofe morreram 96 pessoas. A delegação polonesa ia para os eventos dedicados ao 70º aniversário do crime de Katyn.

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O governo decidiu criar defesa para evitar roubos na colheita de grãos (trigo).
Na quarta-feira, 9 de agosto, o governo ukrainiano decidiu criar uma rede operacional nas administrações para reação ao roubo de grãos durante a colheita.

A equipe formarão os representantes do Ministério da Justiça, Ministério do Interior, Procuradoria Geral e Associações agrícolas especializadas. Os dirigentes de tais administrações deverão telefonar ao Gabinete Ministerial, Ministério da Justiça, Ministério do Interior, a cada duas semanas, e informar sobre o seu serviço.
Os governadores deverão fornecer os resultados de seu trabalho até 15.11.2017. 

O primeiro Vice-Primeiro-Ministro chefiará o grupo para coordenar o trabalho do pessoal operacional.

Conforme relatado na região de Vinnytsia, em 31 de maio a polícia prendeu 42 criminosos armados que tentavam apoderar-se da economia agrícola e causaram transtornos no local  da separação do grão da palha, em consequência do que uma pessoa ficou ferida. 
(Resumindo: os agrários são atacados na época da colheita de trigo porque os bandidos tentam apoderar-se da colheita - OK).

Tradução: O. Kowaltschuk